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Solta a voz, síndico! Com Karina Nappi


Postado em 31/07/2020

Diversas são as motivações que podem levar alguém a se tornar síndico profissional. Nos casos mais comuns, antes da profissionalização, os gestores passam pelas funções de conselheiro fiscal, subsíndico e síndico orgânico. Com isso, adquirem experiência e mais familiaridade com as demandas do condomínio.

A trajetória da nossa terceira convidada da coluna Solta a voz, síndico!, Karina Nappi, é um pouco diferente. Síndica profissional desde 2011, foi síndica moradora de seu condomínio, mas iniciou a carreira de forma efetiva na área de implantação de empreendimentos. Hoje, experiente e com sua empresa, Admix Services, consolidada no mercado, contou um pouco de sua trajetória e aprendizados para o blog da LAR.app. Continue lendo o texto e confira a entrevista na íntegra!

Primeiros passos na carreira de síndica profissional

Formada em comunicação social, com habilitação em jornalismo pela Faculdade Presbiteriana Mackenzie, passou por diversos veículos jornalísticos impressos, trabalhando também na área de assessoria de imprensa. Em 2011, após se mudar a trabalho para Salvador - BA, o veículo em que trabalhava decidiu suspender sua expansão para a cidade, devido à crise.

Logo em seguida, Karina foi convidada por uma construtora paulista que também operava na cidade para realizar a implantação de um condomínio. Mesmo com pouca experiência na área, mas muita experiência na área financeira, aceitou o desafio!

Após emitir CNPJ, fazer a convenção e regulamento interno do condomínio, acompanhar as obras e realizar a implementação de fato, fui fazer cursos e me especializar. Então, embarquei nos próximos desafios: implantar um condomínio horizontal e um hotel business.”

Mesmo com as dificuldades, Karina realizou desde compras de insumos, auditoria administrativa e até mesmo treinamento das equipes de limpeza e segurança. Após cumprir os desafios, voltou para São Paulo em 2016, fez cursos de síndico profissional, direito condominial, administração de condomínios, desenvolvimento e liderança e começou efetivamente sua carreira.

Voltando para São Paulo, fiz um curso de síndicos profissionais com duração de 6 meses e após a formação, comecei a administrar prédios pequenos, trabalhei também dentro de administradoras de condomínios e conheço os dois lados da administração dos empreendimentos. Meu primeiro cliente foi um condomínio de 12 unidades.”

Os desafios ainda são os mesmos…

Para Karina, o maior desafio em ser síndica profissional ainda é o mesmo do início de sua carreira: o relacionamento com as pessoas. Segundo a síndica, antes de começar a realizar as ações necessárias no condomínio, é preciso ganhar a confiança da equipe de funcionários, do corpo diretivo e dos moradores.

“A parte mais difícil é conscientizar as pessoas de que todos estão ali pelo mesmo objetivo: o bem comum. Mostrar que você não tem a intenção de privilegiar uma ou outra unidade, mas sim de entender as necessidades de cada morador, definir prioridades e adotar estratégias a partir disso. E o principal, estudar cada condomínio antes de realizar qualquer questão, ler livros de atas, analisar as 12 últimas pastas.”

Como outro desafio, ela explica que um bom síndico profissional deve estar disponível para emergências 24 horas por dia, e para as demais questões e acesso dos condôminos sempre que possível. A síndica cita uma situação em que houve um acidente no condomínio durante a madrugada, e foi necessário que ela saísse de casa imediatamente para garantir que tudo estava bem.

No momento em que recebi a notícia do acidente, fui imediatamente até o condomínio para verificar a situação e garantir que todos estavam em segurança. No dia, foi necessário que eu revezasse com o porteiro a cobertura da portaria, pois o carro de um condômino havia batido e danificado o portão, deixando o condomínio vulnerável até que fosse providenciado e realizado o conserto.”

Lidando com o isolamento social no condomínio

Se você acompanha nosso blog, provavelmente viu nosso post sobre boa convivência em condomínio. Segundo Karina, esse foi um dos principais pontos de atenção durante a pandemia. Para driblar isso, a síndica organizou diversas ações nos condomínios, entre elas, comércio, ações em datas comemorativas e até mesmo pocket shows.

Em alguns condomínios, disponibilizamos pequenos pontos de venda. O que foi ótimo para os moradores, principalmente para os idosos, pois para saírem do condomínio para ir até o mercado e se expor ao vírus deixou de ser necessário. Nos condomínios em que não havia espaço para os mini supermercados, conseguimos colocar pequenos food trucks de hortifruti e diversos tipos de comidas. Além disso, fizemos parcerias para que pequenos comerciantes, como o vendedor de trufas, a floricultura e a lavanderia do bairro, fossem até a porta do condomínio.

Assim, mantivemos a segurança no condomínio e ainda incentivamos pequenos empreendedores, tudo avisado por comunicado de dia e hora que estariam na porta de cada condomínio.”

Como lidar com os decretos e leis da pandemia?

No início da pandemia, muito se debateu sobre a proibição de uso das áreas comuns e realização de obras em condomínio. Em seu decorrer, surgiram diversas leis e decretos, como a Lei Federal 14.010/2020 e a Resolução SS - 96, do Estado de São Paulo. Porém, como se organizar perante essas normas?

Karina nos contou que desde o início do período de isolamento social, tomou ações para que a convivência e a harmonia no condomínio não fossem prejudicadas.

Logo no início, paramos todas as obras que não eram essenciais nos condomínios, devido à quantidade de moradores realizando home office. O mesmo se aplicou às unidades. Obras emergenciais e mudanças foram permitidas, mas em horários específicos, para que ninguém fosse prejudicado, e na maioria dos prédios reduzimos o horário para apenas 4 horas diárias.”

Para a reabertura das áreas comuns, a estratégia adotada foi levar em consideração o perfil de cada condomínio e tomar as decisões baseadas nisso. Para Karina, isso se torna um pouco mais difícil em condomínios maiores, pois existe uma facilidade para que aglomerações sejam feitas.

Já nos condomínios menores, a síndica optou por abrir apenas a academia, com um maior espaço entre os equipamentos e com horário agendado. As áreas comuns que costumam ser menores ou com pouca ventilação foram mantidas fechadas, para garantir a eficiência da prevenção coronavírus no condomínio.

A importância da equipe para a melhor gestão do condomínio

Ao perguntarmos à Karina o que ela considerava como função de síndica, destacou que existe muita coisa por trás desse cargo. Além de realizar cobranças, analisar as inadimplências e fazer orçamentos, o síndico têm um papel importante de organização e definição de necessidades do empreendimento.

Se o condomínio não estiver com a elétrica, hidráulica, manutenções, operando bem, se não estiver limpo, não irá funcionar. Muitas dessas coisas acabam passando despercebidas.”

Por sua vez, considera que os moradores também devem reconhecer que possuem papel fundamental para o bom funcionamento do condomínio, pois acredita que tudo deve ser feito em parceria.

Por mais que a assinatura sempre seja minha, pois exerço a função de síndica, eu não moro no condomínio. Então, tento realizar reuniões constantes com o conselho, no mínimo uma vez ao mês. Sempre busco envolvê-los em todas as decisões, não só em reuniões de prestação de contas e afins. Assim como os moradores, eles estão no dia a dia do condomínio e conhecem as pessoas, principalmente no começo da administração, porém, se me contratam é porque sabem da capacidade que tenho de liderar.”

Já a administradora do condomínio, vê a função como o braço direito do síndico. Karina considera que o principal dever da administradora é ter organização no momento de realizar pagamentos, de forma que não cometam atrasos ou erros. Além disso, julga como essencial a coerência nos momentos de comunicação com condôminos.

Uma síndica de pessoas

Assim como nós da LAR.app, Karina Nappi se considera uma síndica de pessoas. A profissional nos contou que já investiu até mesmo em cursos de alfabetização para os zeladores, por acreditar no potencial dos funcionários. Ainda assim, admite a preferência por profissionais sem experiência ou que já são idosos, pois encontra em ambos um senso muito grande de responsabilidade.

Sobre a sindicância, ela afirma que não existe um manual pronto de como se deve agir ou ser, não basta ter cursos e formações.  

“Eu acho que nós síndicos aprendemos muito na prática, pois as situações sempre são diferentes. Um simples portão pode quebrar de diversas formas e será necessário saber se o problema está na roldana ou em algum dos cabos de sustentação, por exemplo. Por mais que seja o mesmo problema, existem soluções diferentes e o aprendizado é constante.” - Karina Nappi, síndica profissional.

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