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Solta a voz, síndico! Com Nazario Gonzalez


Postado em 29/06/2020

Lidar com as adversidades causadas pela pandemia de Covid-19 nos condomínios têm sido desafiador. Porém, quando se realiza um planejamento de gestão de crise e o condomínio conta com boa equipe e moradores engajados, esse desafio passa a ser um pouco mais tranquilo. Esse é o caso de Nazario Gonzalez, síndico profissional há 2 anos e nosso segundo entrevistado na coluna “Solta a voz, síndico!”.

Em nossa conversa, Nazario falou sobre sua trajetória como síndico profissional. Como foi a transição para essa função após quase 20 anos atuando no mesmo condomínio como síndico orgânico. Além disso, o síndico também nos falou sobre o comitê de crises que criou no condomínio e nas estratégias que estão pensando para a reabertura das áreas comuns. Confira!

Físico de formação, síndico por necessidade de empreender

Formado em física e com uma extensa trajetória em grandes multinacionais do setor de engenharia, Nazario sempre trabalhou na área de qualidade, gestão e mapeamento de processos. Há 20 anos, quando foi morar em condomínio pela primeira vez, notou que havia uma discussão sobre as atitudes que o síndico e administradora antigos estavam tomando.

“Quando entrei no condomínio, há 20 anos, havia uma discussão sobre as ações da administradora e do síndico. Por ser a primeira vez morando em condomínio, quis entender como funcionava, afinal, era meu dinheiro e meu patrimônio em jogo. Então, fiz parte da gestão como conselheiro fiscal, depois fui subsíndico, e em seguida, síndico orgânico.”

Profissionalização da função de síndico

Mesmo alcançando cargos de gerência nacional e até da América Latina nas empresas, Nazario decidiu sair da empresa onde trabalhava para empreender. Depois de uma conversa com uma amiga, decidiu buscar cursos de síndico profissional e montar uma empresa no ramo.

“Em uma conversa com uma amiga, ela me disse que percebia o amor com que eu olhava para meu condomínio e me incentivou a buscar cursos na área. Quando decidi abrir a empresa de síndicos profissionais, comuniquei meu condomínio - onde era síndico orgânico - que estava deixando o cargo para me especializar e prospectar mercado. Contudo, os moradores pediram para que eu começasse por lá. Juntos, fizemos uma pesquisa de mercado para saber quanto deveria ser cobrado. Assim, consegui o primeiro cliente.”

Desafios ao longo da carreira

Sendo síndico profissional ou síndico orgânico - que mora no condomínio -, as responsabilidades são grandes, pois ao final dos meses, o objetivo é o mesmo: melhorar a qualidade de vida dos moradores e valorizar o patrimônio. Porém, para Nazario, quando se é síndico orgânico, o condomínio acaba não sendo uma prioridade, as tarefas acabam se encaixando em meio às outras tarefas de seu trabalho principal.

“Quando se é síndico profissional, há um outro nível de responsabilidade. Pois essa é sua profissão. No início, identificar essas diferenças de responsabilidades foi um desafio.”

Por ser um síndico que faz planejamentos longos, Nazario considera que sempre deve estar atualizado sobre as novidades do mercado.

“Sendo morador, talvez eu não precisasse concordar com uma portaria remota. Hoje, como síndico profissional, eu tenho que ao menos pesquisar sobre, entender os prós e contras desta solução. Tenho que estar atualizado com o mercado.”

Covid-19 e os últimos meses no condomínio

Assim que começaram as notícias sobre a Covid-19, Nazario e seu sócio montaram um comitê de risco com os conselheiros de cada condomínio, a fim de diminuir o impacto da pandemia. Reuniões passaram a ser realizadas quinzenalmente e sempre que novidades sobre a doença apareciam.

“Fechamos as áreas comuns em todos condomínios e não tivemos reclamações, o que foi uma surpresa. Envolvemos os conselheiros e os moradores, mantendo uma comunicação constante. Quando tivemos casos confirmados, acionamos imediatamente o plano de emergência e contatamos empresas de higienização.”

Mesmo havendo grande cautela por parte da equipe do condomínio para não divulgar quem eram os infectados, houve um caso em que o próprio morador se identificou. Porém, a surpresa foi positiva. Os outros condôminos se dispuseram a ajudar e o ofereceram auxílio ao morador contaminado, o que aumentou a harmonia no condomínio.

Isso não foi diferente com os funcionários. Nazario destaca a união dos moradores de um condomínio para arrecadar doações para os funcionários, como kits de higiene e cesta básica. Com certeza, houve um grande senso de solidariedade e boa convivência também!

Volta à normalidade e abertura das áreas comuns

Hoje, Nazario está pensando na volta dos condomínios à normalidade, porém ressalta a importância de observar as particularidades de cada conjunto e liberar as áreas comuns de forma gradual.

“Estamos atentos ao que está acontecendo, buscando informações em diversos canais. Queremos liberar primeiro as áreas externas, como quadra e a piscina do condomínio e, a partir disso, começar a liberar outras áreas, como a academia. Por fim, o salão de festas, que com certeza levaremos mais tempo para liberar.”

Nesse momento, é preciso envolver principalmente os condôminos, que são os usuários das áreas comuns. Entender as necessidades de cada um e a partir disso, criar as devidas estratégias. Também é preciso se certificar que os colaboradores realizarão suas funções com os devidos equipamentos de proteção individual.

Uma equipe participativa é essencial

Para Nazario, é de extrema importância contar com uma equipe participativa no condomínio. Ele nos contou que não espera as assembleias de prestação de contas para se reunir com os conselheiros e subsíndicos. Em suas equipes, essas reuniões ocorrem mensalmente.

“Com conselheiros ativos ao lado, a adesão dos moradores sobre as pautas do condomínio aumenta, pois os conselheiros são formadores de opinião. Com ambas as partes participando no dia a dia, as tomadas de decisão se tornam muito mais fáceis.”

Além disso, considera que a participação dos funcionários e, principalmente, do zelador também facilitam a gestão dos empreendimentos, pois eles conhecem cada parte do condomínio.

“O zelador é a pessoa que melhor conhece o condomínio. Muitas vezes, ele que vai ter as soluções para alguns problemas. Dessa forma, também é necessário ter a parceria desse profissional nas tomadas de decisão.”

E, por fim, como função da administradora de condomínios, o síndico considera que deve ser mais que uma simples “pagadora de contas” e menos burocrática.

“Hoje, é necessário que a administradora seja parceira e que tenha uma série de soluções tecnológicas. Deve ter um aplicativo, um processo de cobrança eficiente, e deve ser proativa. Isso deve estar no sangue da administradora.”

Tecnologia no mercado dos condomínios

Assim como nós da LAR.app, Nazario vê que a tecnologia já está revolucionando a administração de condomínios. O síndico acredita que o trabalho remoto realizado por uma administradora, não pode afetar sua operação no condomínio. Soluções como portaria remota e reserva de áreas comuns por aplicativo são ferramentas indispensáveis para o bom funcionamento do condomínio.

“As assembleias remotas e outras ferramentas vão mudar a vida condominial. Precisamos partir para algo moderno, que agregue valor. Estou muito esperançoso e não abro mais mão dessas tecnologias.”

A melhor parte de ser síndico profissional

Síndico guiado por resultados, Nazario faz questão de mostrá-los aos moradores. Por isso, vê a importância de buscar novas ferramentas, manter uma boa comunicação com os moradores e aproximá-los para as decisões do condomínio. Os condôminos precisam saber o que síndico está fazendo, pois essas ações impactam diretamente na redução de custos e valorização de seu patrimônio.

“O condomínio não é meu, é dos moradores! Então, eu tenho que me adequar às necessidades deles. Porém, é minha obrigação mostrar para eles o que existe de inovação no mercado. Esse é o mais legal de ser síndico profissional.” - Nazario Gonzalez, síndico profissional.

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